Ao longo dos últimos anos, a gestão Obama permitiu a inserção da economia americana no cômputo da nações que assinaram tratados de redução da poluição. Após anos de repúdio a ideia de que o homem é o principal causador das transformações climáticas através do progresso desenfreado algumas nações desenvolvidas pararam para refletir sobre seus projetos de desenvolvimento sustentável.

As disputas passam por questões como o custo da questão ambiental para o desenvolvimento, existindo um dilema a ser vencido. Entretanto, nações como a Alemanha têm provado que é possível que desenvolvimento e as questões ambientais andem pari passu. A transformação da matriz energética do país permitiu não apenas criar um ambiente de menor risco à população e com redução do custo energético (a discussão sobre o custo dos subsídios e do modelo de venda da energia, exigiria um artigo a parte), mas permitiu difusão do processo de geração energética fotovoltaica. Atualmente o desafio é fazer com que seja viável o armazenamento para o consumo em períodos em que a irradiação não se faz possível.

A certeza de Trump e de seu ministro do meio ambiente, de que o planeta está passando apenas por uma “fase” nos remete a ideia de um personagem célebre da história econômica, Thomas Malthus, que após algumas análises realizou uma previsão catastrófica de que a população não teria alimento suficiente, uma vez que alertava que a população crescia em progressão geométrica, enquanto a produção de alimentos crescia em progressão aritmética. Por essa afirmação, Malthus é visto por muitos como uma espécie de cavaleiro do apocalipse, uma vez que sua “previsão” não se concretizou.

O que muitos não sabem é que este, que foi talvez um dos primeiros economistas profissionais, veio a cometer um erro também previsto por ele. Em seu livro “Principles of Political Economy”, Malthus afirma que a principal causa do erro e das diferenças que prevalecem atualmente entre os escritores científicos de economia política, pareciam ser uma tentativa precipitada de simplificar e generalizar, ao invés de experimentar suficientemente as suas teorias através de uma referência a experiência de forma ampla para uma questão complicada para provar sua utilidade e verdade.

Os levantamentos de Malthus para o estabelecimento de sua afirmação se deu sobre um período restrito e que posteriormente se mostrou enviesado, por refletir o que posteriormente foi uma fase do comportamento demográfico. Além disso, o desenvolvimento agrícola se mostrou capaz de não apenas atender a necessidade decorrente do crescimento demográfico, mas de permitir que um contingente cada vez menor de produtores rurais atendesse a um contingente crescente urbano.

Assim, chamamos a atenção para o que parece ser uma “visão míope” do governo Trump para os efeitos do retrocesso ambiental. Trump segue na direção contrária a superação dos problemas deixando a solução a cargo das demais nações. Sem dúvida há uma grande possibilidade de retomada de alguns setores, mas a que custo? O custo, neste caso, tem seus efeitos deslocados temporalmente, recaindo sobre gerações futuras. As questões ambientais não devem ser um empecilho ao desenvolvimento econômico, mas não podem ter seus custos e alternativas ignorados, assim como Malthus ignorou as mudanças comportamentais e tecnológicas. O progresso (comportamental e tecnológico) sempre será a chave para o desenvolvimento, mas seguir na contramão pode ter custos muito elevados.

Apesar da comprovação da superação dos entraves ao desenvolvimento agrícola, alguns estudos desenvolvidos na década de 70 ainda apontavam que o planeta corria o risco de não conseguir atender a demanda por alimentos e que este risco se concretizaria em cerca de 100 anos. Passado quase metade do período da previsão, vemos o problema se tratar muito mais de uma questão de distribuição e riqueza do que da quantidade de alimento.

 

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