O PRIMEIRO TRIMESTRE JÁ PASSOU…

No Brasil, dizem que o ano só começa depois do carnaval. Mas quando menos se espera, percebemos que a festança já passou e logo o primeiro trimestre também se completou. Avaliando este período encerrado há pouco, percebemos que 2017 já está repleto de acontecimentos e, se você deixou “pra depois” para tomar suas decisões de investimentos, pode ter perdido muitas oportunidades.

A velocidade dos fatos parece aumentar cada vez mais. A cena política não parou de trazer novidades, seja no vai e vem das negociações do Governo para aprovações das medidas de ajuste fiscal necessárias para nossa economia retomar o rumo, ou mesmo com seus envolvimentos nas páginas policiais, com as delações premiadas e a Operação Lava Jato.

Na economia os indicadores ainda são erráticos. Os variados índices de confiança já se encontram em seus melhores níveis em quase dois anos e a inflação acumulada em 12 meses está quase no centro da meta do Governo. Neste ponto, celebrou-se o fato do IPCA ter encerrado o primeiro trimestre com a menor variação para o período desde a criação do Plano Real. A acomodação dos preços permitiu ao Banco Central aumentar o ritmo de corte dos juros, que deve se intensificar ainda mais nos próximos meses.

Apesar destes avanços, a atividade econômica ainda não mostra sinais de retomada consistentes, o que só deverá ocorrer no segundo semestre. Por enquanto, a taxa de desemprego seguiu em alta, atingindo 13,2% em fevereiro, o comércio varejista alterna altos e baixos, assim como a produção industrial. Em reflexo disto, o indicador de atividade do Banco Central e considerado uma prévia do PIB oficial do IBGE, denominado IBC-Br, iniciou o ano com queda de 0,26% em janeiro.

Em meio a tudo isso, os mercados de ativos foram se ajustando. Abaixo podemos observar as variações dos principais indicadores do mercado no primeiro trimestre, assim como faremos um resumo sobre as principais opções de investimentos disponíveis.

BOLSA

O mercado acionário seguiu os bons retornos do ano passado e o Ibovespa acumulou alta de 7,90% nos três primeiros meses de 2017. Este percentual chegou a ser superior a 14%, quando fechou acima dos 69 mil pontos em 21 de fevereiro e os investidores mais uma vez abriam contagem regressiva para a superação do recorde de 73.516 pontos do longínquo 20/05/2008. Pontuações recordes que, aliás, vários indicadores de bolsa já atingiram neste ano, principalmente os norte-americanos, que subiram em função do chamado “Trump trade”. Este se baseia nas promessas de estímulos fiscais, redução tributária sobre empresas, relaxamento regulatório sobre o sistema bancário e gastos com infraestrutura em torno de US$ 1 trilhão.

Alguns segmentos se destacaram na Bovespa, como pode ser visualizado pelo desempenho dos índices setoriais. O setor de construção civil foi beneficiado com a baixa dos juros e recuperação das perdas do ano anterior, acarretando em alta do Índice Imobiliário de 21,5% no trimestre. Já o índice do setor de consumo (ICON) refletiu a contínua fraqueza da atividade econômica, com desemprego em alta e queda do poder aquisitivo da população.

 

FUNDOS DE INVESTIMENTOS

Segundo a Anbima, em março, a indústria de fundos teve a maior captação líquida mensal desde o início da série, em 2002, de R$ 45 bilhões. Com esse resultado, aliado à captação recorde para os meses de fevereiro (R$ 22,5 bilhões) e à segunda maior para o mês de janeiro (R$ 41,1 bilhões), o ingresso líquido acumulado pela indústria em 2017 alcançou R$ 108,6 bilhões, o maior já registrado para o primeiro trimestre.

Os fundos de ações se aproveitaram das boas rentabilidades na Bovespa e lideraram os ganhos no segmento, com destaque para os fundos voltados para small caps. Os fundos de renda fixa perderam um pouco a atratividade, acompanhando a queda da taxa de juros, enquanto os multimercados garantiram bons retornos.

TESOURO DIRETO

A queda na taxa de juros se refletiu nos preços dos títulos disponíveis no Tesouro Direto, que teve boas rentabilidades entre janeiro e março deste ano. Os títulos prefixados renderam quase 10% neste período, assim como alguns indexados ao IPCA. Veja na tabela abaixo as rentabilidades dos títulos disponíveis atualmente no Tesouro Direto.

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