“Meu sobrinho: sou investidor raiz”

Com essa frase cômica/trágica começamos o artigo desta semana. Antes de qualquer coisa acredito que seria bom contextualizar tal afirmação vinda de um parente tão querido.

Como ocorre quase todos os domingos, nestes meus trinta e poucos anos de idade, estava eu lá na casa da minha avó junto com primos(as), tios, mãe e irmã para degustarmos da famosa culinária de Dona Maria.É impressionante como aos 86 anos ela ainda sente o mesmo prazer em cozinhar e ver a família reunida com vigor de anos atrás.

Fico realmente espantado como em todo esse tempo alguns hábitos não mudaram. Por exemplo: minha mãe, considerada a mais afobada da família, chega sempre primeiro. Minha tia religiosa tem que ir embora correndo por conta do culto aos domingos. Minha outra tia que não é muito chegada a refrigerante oferece limonada a todos, e o cheiro de bolo saindo do forno no fim de tarde, isso não pode faltar.

Voltando ao último domingo, enquanto minhas tias e mãe auxiliavam o término do almoço, alguns sobrinhos corriam no quintal, enquanto eu estava sentado à mesa com meus tios e primos(as) conversando sobre acontecimentos da semana. É bom lembrar que ainda guardo na memória a época em que também ficava correndo, sem preocupações, sem problemas, apenas pensando qual brincadeira seria feita após o almoço.

Engraçado que normalmente a pauta das conversas também não muda. Discorremos sobre política, violência urbana, reajustes nos preços dos planos de saúde, viagens, futebol e economia. Sinceramente não sei se esse último tema sempre fez parte dos encontros familiares, mas desde quando decidi cursar Ciências Econômicas na faculdade, passou a fazer, e desde lá fui elevado ao posto de adulto.

Lembro-me que o assunto estava na disputa entre o Flamengo e o Vasco que aconteceria em poucas horas na televisão. Eis que uma prima me fez a seguinte pergunta: em que tipo de ativos devo aplicar com a queda na taxa de juros?         

Já se passava de 15h00. Bom frisar que esse tipo de almoço nunca teve pontualidade como sua maior virtude. Fui lá eu explicar as vantagens em alocar recursos em Fundos de Investimentos Imobiliários, títulos públicos e privados, ações, ETFs, etc.

Já me interrompendo, um dos meus tios informou que através do auxílio do seu gerente de banco, havia alocado boa parte dos recursos depositados na caderneta de poupança em um CDB que lhe rendia 98% do CDI por 2 anos. Elegantemente tentei apontar que sua opção de investimento não teria sido a mais acertada, visto que conseguiria melhores rendimentos em outras aplicações.

Nesse momento ele me saiu com a frase que dá título a esse artigo: “meu sobrinho: sou investidor raiz”. Todos nós que estávamos à mesa rimos no momento, mas identifiquei um problema de boa parte dos brasileiros: o de apenas aplicar em ativos direcionados por seus gerentes de banco, pura e simplesmente por comodismo.

Então retruquei, que na minha visão não seria um investidor “Nutella” aquele que busca por corretoras independentes, já que estas oferecem aplicações de várias instituições financeiras, como bancos e gestoras de investimentos que por muitas vezes proporcionam rendimentos mais vantajosos.

Além do que, pelo ponto de vista de risco institucional, não há muita diferença entre investir por meio de bancos ou por meio de corretoras. Já que por mais que a corretora possa quebrar, o sistema financeiro tem diversos mecanismos que protegem o investidor.

Destaquei ainda que os fundos de investimento possuem um CNPJ próprio. Assim, se a instituição que administra o fundo falir, o fundo simplesmente é passado a um novo gestor, sem ser afetado pela falência. Outros investimentos ainda, como os CDBs, LCIs e LCAs são protegidos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Minha intenção foi apenas apontar que investir via corretora de investimentos lhe daria maior variedade de opções com as mesmas garantias do seu banco.

Diante dos argumentos, ele ficou de ler alguns artigos para desmistificar os riscos de investir via corretoras de valores mobiliários para aplicações futuras.  Neste momento, o relógio da área externa marcava 16h30 e minha avó toda sorridente trouxe o almoço à mesa. Como em todos os domingos ela iniciava as preces agradecendo por nos mantermos juntos sempre que possível, seguindo um dos desejos de meu avô.

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