O artigo “Investir através de uma corretora é seguro?” foi encerrado com a promessa de que voltaríamos ao tema, mas com foco na escolha da corretora mais adequada às suas necessidades. Ressaltamos o termo “mais adequada”, pois rotular alguma instituição como a melhor não seria correto, uma vez que isso depende dos objetivos e necessidades do investidor.

Escolher a instituição financeira onde aplicará recursos é parte importante para o sucesso dos seus investimentos. As corretoras, dentre as muitas existentes no Brasil, se dividem basicamente entre as pertencentes ou ligadas aos bancos e as independentes. Em geral, uma corretora dita independente tem a vantagem de poder oferecer produtos financeiros de variados gestores, administradores e emissores, além da garantia já mencionada do MRP (no artigo anterior) de até R$ 120 mil. Em instituições pertencentes a um banco normalmente há restrições na oferta de produtos de “fora da casa”, mas temos visto algumas iniciativas de maiores aberturas, na tentativa de estancar a perda de clientes para as instituições independentes.

Os custos costumam ser menores em corretoras independentes, visto que esta é uma forma de tentar atrair clientes, uma vez que os bancos possuem uma capilaridade maior para captação. A política de preços deve ser observada também quanto à sua necessidade. Assim, você deve verificar os custos de corretagem (taxas cobradas nas operações em bolsa) e custódia (taxa cobrada pela manutenção e guarda dos títulos que você possui na instituição). Por exemplo, uma corretora pode oferecer isenção da taxa cobrada para investimentos no Tesouro Direto, enquanto o custo para efetuar operações em bolsa é alto. Neste caso, se o investidor tiver interesse exclusivamente na compra de títulos públicos, esta pode ser a melhor em termos de custos, mas se o foco for investir em ações, ela não seria uma boa escolha.

Ainda com relação aos custos, observe também os valores para transferências do seu dinheiro para a instituição escolhida, assim como para retirada. Isto se faz importante principalmente quando envolver valores menores e recorrentes de aplicação, visto que o custo de transferir um montante do seu banco para a corretora não pode representar grande percentual sobre a aplicação, sob o risco de reduzir a rentabilidade a ponto até mesmo de tornar o investimento menos atrativo. Neste sentido, temos visto iniciativas interessantes de bancos de menor porte, com a criação de contas digitais, com algumas facilidades como isenção de tarifas, depósitos através de pagamento de boleto, transferências gratuitas para outros bancos, entre outros benefícios. Nestes bancos, as pessoas físicas poderiam investir diretamente em títulos também oferecidos em corretoras, como CDB, LCI e LCA, mas em alguns casos com a vantagem de melhor remuneração e menor custo de transação. Neste caso, o dinheiro que estiver nestes bancos pode ficar restrito às aplicações oferecidas pela instituição.

É possível identificar que as corretoras costumam possuir perfis diferentes, ao focarem em públicos com objetivos específicos. Por exemplo, algumas instituições oferecem sistemas gráficos avançados, gratuitos ou por via de assinatura ou pacotes diferenciados, o que atende mais aos investidores interessados em operações de day trade. Para este público algumas corretoras oferecem acompanhamento ao vivo de trades e fórum de discussões. Em outros casos, para atender públicos com perfis mais conservadores, as corretoras têm sites integrados com o Tesouro Direto, além de ofertas de títulos de renda fixa de outras instituições financeiras.
Estes exemplos servem, mais uma vez, para reforçar que a escolha da corretora depende da sua necessidade. Você também pode atentar se a corretora oferece conteúdos educacionais e relatórios de análises, além de aplicativos mobile, entre outros. Verifique a estabilidade e agilidade dos sistemas online da corretora, como por exemplo o homebroker, que também devem ser de fácil operacionalização.

Uma forma de selecionar corretoras pode ser através do Programa de Qualificação Operacional (PQO) da B3 (antiga BM&F Bovespa), que avalia e reconhece a qualidade dos serviços prestados pelas corretoras e bancos que atuam nos mercados administrados pela Bolsa. O selo “Retail Broker” identifica os participantes de negociação que possuem estrutura organizacional e tecnológica especializada na prestação de serviços de atendimento consultivo e de assessoria financeira, prospecção de clientes e execução de ordens e distribuição de produtos da Bolsa para os investidores pessoas físicas e jurídicas não financeiras.

Por fim, o site da B3 também oferece uma ferramenta para ajudar você a encontrar uma corretora, podendo filtrar por produtos e serviços oferecidos, selos de qualificação e tipo de investidor. Clique no link abaixo e faça sua busca:
http://www.bmfbovespa.com.br/pt_br/servicos/participantes/busca-de-corretoras/

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