Creio que a única conta de caderneta de poupança que tive na vida foi aberta quando eu tinha dois meses de idade. Minha mãe, preocupada com o futuro do seu primogênito, pegou suas economias e foi ao Unibanco aplicar os recursos que poderiam garantir meus estudos daí a 20 anos, quando entraria na Universidade.

Passado esse tempo e próximo a ingressar na Universidade Federal Fluminense, minha mãe me entregou, orgulhosa, a caderneta, na qual poderia retirar recursos para me manter em outra cidade. O valor foi importante, mas infelizmente não custeou nem o primeiro ano, o que exigiu dos meus pais um esforço adicional.

Essa história meus amigos do grupo do WhatsApp já conheciam, pois dividimos um apartamento na época da faculdade, mas a utilizei para começar a tratar das aplicações disponíveis no mercado.

Assim continuaremos nossa série de mensagens proposta no artigo inicial (Como Começar a Investir).

MENSAGEM Nº 02 – A FALÁCIA DA POUPANÇA QUE NÃO DEIXA DE GANHAR

Não quero renegar a importância da caderneta de poupança. Creio que ela tenha uma função fundamental, sendo a primeira forma do brasileiro guardar seu dinheiro. Somos um dos países com menores taxas de poupança do mundo, aqui num sentido macroeconômico mais amplo, não vou relegar a poupança como uma vilã. Assim como não posso dizer que a escolha da minha mãe foi errada no início da década de 1980, pois naquele momento não havia a grande oferta de produtos financeiros que temos hoje, em geral com maior rentabilidade que a poupança e risco parecido ou controlado.

A caderneta de poupança é um dos investimentos mais populares do Brasil, contando com simplicidade e baixo risco, tem garantia do governo e regras de funcionamento estabelecidas pelo Banco Central. A remuneração da caderneta de poupança sofreu mudanças em suas regras em 2012, visto que no regime anterior funcionava como um patamar mínimo para os juros básicos da economia brasileira.

Assim foi redigida uma Medida Provisória que alterou a forma de remuneração da caderneta de poupança, que passou a ser calculada da seguinte forma:

  • Selic igual ou inferior a 8,5% a.a: 70% do valor da Selic mensalizada + TR
  • Selic superior a 8,5% a.a: 0,5% ao mês + TR

A remuneração dos depósitos de poupança é calculada sobre o menor saldo de cada período de rendimento, que é o mês corrido, contado a partir da data de aniversário da conta de depósito de poupança, que por sua vez é o dia do mês de sua abertura. Considera-se a data de aniversário das contas abertas nos dias 29, 30 e 31 como o dia 1° do mês seguinte. A remuneração dos depósitos de poupança é creditada ao final de cada período de rendimento, ou seja, na data de aniversário da conta. Outras facilidades da poupança estão no fato de em geral não haver valor mínimo para depósito, além de ser isenta de tributos.

Explicado o que é e como se remunera uma caderneta de poupança, vamos às considerações:

  • Liquidez: em geral, pode-se realizar saques a qualquer momento, sem a necessidade de carência. Entretanto, devemos observar que, caso você retire algum valor da sua caderneta de poupança durante o período de rendimento, este não será remunerado. Isto não ocorre em aplicações como um fundo DI, no qual você é remunerado pelo saldo diário.
  • Isenção de IR: não haver a cobrança de imposto de renda é legal, mas isto não é suficiente para concluir que a poupança é mais rentável. Exige-se um pouco mais de trabalho, mas basta fazer as comparações levando em conta a rentabilidade líquida, excluindo as taxas das demais aplicações.
  • Rentabilidade: quando comparado às demais aplicações disponíveis em nosso mercado, quase sempre a poupança é superada. Em alguns momentos, até mesmo a inflação é maior que a rentabilidade oferecida pela poupança, ou seja, você teria perda de poder de compra do seu dinheiro que lá está aplicado.

Ainda sobre a questão da rentabilidade oferecida pela poupança, vejamos uma comparação simples entre a poupança, o CDI (índice de referência muito comum em aplicações de renda fixa) e o IPCA (índice oficial de inflação do governo). Entre 01/01/1995 e 31/12/2016, a poupança rendeu 793,9%, enquanto o IPCA acumulou inflação de 515,4% e o CDI teve rentabilidade de 3.449,7%. Ou seja, uma aplicação que ofereceu 100% do CDI durante este período, retornou quase 4 vezes mais do que a poupança.

Pode-se questionar que uma aplicação dificilmente oferece 100% do CDI líquido de imposto. Desta forma, calculei também como seria uma aplicação que oferecesse 85% do CDI líquido, o que daria 1.978,5%. Ainda assim é um valor muito superior. O que podemos concluir é que, apesar da poupança oferecer uma rentabilidade, sem o risco de perder, ela impede que você ganhe mais, muitas das vezes correndo riscos semelhantes.

Enfim, já sabemos que podemos ganhar mais que na poupança. O próximo passo será conhecer as demais alternativas de investimentos.

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