Este artigo dá início à uma série dedicada especificamente ao tema ALM (Asset Liability Management), que em bom português corresponde à “Gestão Integrada de Ativo e Passivo”, ainda desconhecido fora do ambiente das instituições financeiras, fundos de pensão, seguradoras e algumas poucas grandes empresas.

A ideia inicial, surgida lá pelos anos 70,  era disponibilizar uma ferramenta que diminuísse ao máximo dentro do possível (o que chamamos em finanças de mitigação) o risco de descasamento entre o ativo (investimentos e recebíveis, ou haveres, numa forma mais ampla) e o passivo (dívidas e obrigações) de uma organização.

Em outras palavras, evitar que os desembolsos das obrigações em cada ano superassem os recursos disponíveis e se entrasse no vermelho (déficit).  Naturalmente, os Bancos, fundos de pensão e seguradoras, foram os primeiros interessados, dada a natureza de longo prazo das suas atividades, mas com o passar do tempo, as empresas com visão e planejamento mais abrangente passaram a implementar estudos de ALM.

A princípio, o foco principal da sua abordagem era no risco de taxa de juros e no risco de liquidez. Como o comportamento dos juros pode valorizar ou desvalorizar aplicações e aumentar ou reduzir o serviço das dívidas (pagamentos de juros), uma ferramenta que permitisse antecipar o seu comportamento seria extremamente valiosa.

Complementarmente, se ela pudesse também avaliar para o horizonte futuro o tempo necessário para transformação de ativos em dinheiro (liquidez), confrontando os vencimentos estimados da alocação dos recursos com as datas correspondentes das dívidas e compromissos assumidos, poderiam ser identificados os períodos de sobra/superávit (azul) ou falta/déficit (vermelho) de recursos, apelidado de análise ou estudo de descasamento (gap-analysis).

O arremate se dava na realocação dos investimentos, de maneira a otimizar as aplicações (obter o máximo de retorno possível para o menor nível de risco aceitável, em finanças), e assim, conciliar superávits com liquidez suficiente para que todos os compromissos pudessem ser honrados, compatibilizando os prazos médios de ambos.

Com o tempo, os estudos de ALM evoluíram e passaram a incorporar outros riscos aos portfólios (cesta ou balaio de ativos, conjunto de investimentos, também chamados de carteiras), de acordo com a sua complexidade.

O conceito de risco de mercado, que incorpora fatores de risco mais amplos, como taxa de juros, inflação, câmbio, bolsa, bem como indicadores de outros países, quando cabíveis, passou a ser adotado, a fim de se entender melhor o seu impacto e se obter estimativas mais precisas sobre o valor dos ativos e dos passivos ao longo do tempo.

Uma conceituação bastante feliz para ALM pode ser  encontrada no sítio da Society of Actuaries (www.soa.org), que se refere a esta técnica da seguinte forma:

“ALM é a prática de gerir um negócio de modo que decisões e ações tomadas em relação aos ativos e passivos são coordenadas. O ALM pode ser definido como o processo contínuo de formular, implementar, monitorar e revisar estratégias relacionadas a ativos e passivos para atingir os objetivos financeiros das organizações, dados o nível de tolerância ao risco da organização e outras restrições.” (SOA Professional Actuarial Specialty Guide – Asset Liability Management, diversos autores, 2003).

Na verdade, este guia vai bem mais além, estabelecendo a estrutura e as etapas necessárias para a sua compreensão e implementação. Nas próximas publicações, explorarei as diferentes fases e os principais desafios para se operacionalizar um estudo de ALM que não seja para inglês ver, mas contribua para a tomada de decisão e favoreça financeiramente os resultados da gestão. Para aqueles que desejarem explorar esta galáxia ainda desconhecida ou encontrar um melhor embasamento para avaliar e monitorar estudos de ALM atualmente em uso nas suas organizações/empresas, recomendo a leitura do anexo Guia SOA para ALM

Escrito por:  Clidenor Lima Jr, Msc

Clidenor Lima Jr, Msc – Diretor Invest Office

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